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3 December 2017

não comprar coisas novas para a bebé :: do not buy new things for my baby

este post faz parte do desafio que lancei a mim própria e que deu origem ao meu primeiro blog: adoptar 365 hábitos de maneira a reduzir a minha pegada ecológica (aqui está a lista das medidas já tomadas). Esta é a 222ª medida.


                     tudo "segunda mão" (mesmo o que não está à vista)                                                                     o carrinho, numa das suas poucas viagens...
                           all "second hand" (even what isn't in sight)                                                                               the baby stroller, in one of his few trips...

Para mim, não fazia sentido - a partir do momento em que decidimos ter um bebé - não continuar a esforçar-me para reduzir o nosso impacto no ambiente. Aliás, essa necessidade, chamemos-lhe assim, aumentou: "se vais colocar mais um ser humano neste planeta, é bom que redobres o esforço para o deixares num estado melhor do que está". Sim, porque eu continuo a acreditar - piamente, inocentemente, loucamente - que cada um de nós pode fazer a diferença.

Ora, para qualquer pessoa - minimamente observadora e que tenha alguém com bebé(s) na sua vida - é mais que óbvio que - hoje em dia - na nossa sociedade, os bebés precisam de muitas coisas, para sobreviverem a esta fase das suas vidas... A primeira vez que me deparei com uma lista do que tanto bebé e mamã precisariam - quer em casa, quer no hospital/maternidade - fiquei boquiaberta. E surgiram-me imagens das inúmeras vezes que tinha observado amigos, já pais, a carregarem as malas dos carros com tudo e mais alguma coisa, de cada vez que íamos de férias. Fosse um fim-de-semana ou uma semana. Ou a chegarem a uma festa de algumas horas com mais do que eu levo para 15 dias de viagem... "Há uma outra maneira. Um bebé não precisa disto tudo. - disse eu a um Zé Manel estarrecido e nada habituado a bebés - Não, nós não vamos ser assim." 

E não fomos. Não somos. A nossa bebé fez 1 ano e posso contar pelos dedos das mãos as coisas novas que lhe comprámos: um sling (a uma artesã portuguesa), uma mochila ergonómica (na verdade, foi oferecida, mas conta na mesma), um carrinho (o nosso pecado ambiental... já aqui volto...), livros, alguns brinquedos didácticos e fraldas reutilizáveis (e metade são em segunda mão, mas isto fica para outro post). Claro que lhe ofereceram coisas novas e coisas feitas com amor e carinho (por exemplo, a tia mais nova da Íris fez-lhe uma linda alcofa, que depois de muito usada nos primeiros meses, é agora a casa dos bonecos dela...). Ainda é muito difícil explicar que podem comprar em segunda mão para nos oferecer. Ou que nem precisam de oferecer nada! E sim, podíamos ter optado por versões em segunda mão dos objectos supracitados. Não somos perfeitos (longe disso) e às vezes deixamo-nos levar pelo consumismo verde (pois...).

Foi o caso do carrinho. Nas minhas pesquisas pelo mundo virtual, dei com este carrinho e entusiasmei-me: é totalmente feito a partir de materiais reciclados (a estrutura utiliza 5,6kg de plástico reciclado e o tecido é feito a partir de 62 garrafas PET). Quando já não estiver próprio para consumo, podemos devolvê-lo à empresa e os seus materiais serão totalmente reutilizados em novos produtos. Ai, ai... Estão a ver por onde me pegaram? E, ao contrário dos outros carrinhos de bebé (na minha opinião), é bonito. E leve, e personalizável,  (podia ter um carrinho branco!!!) e prático (não é preciso tirar um curso para o saber dobrar...). Fomos ver o carrinho e, por causa dele, fizemos uma lista de nascimento... Durante os primeiros 4 meses da Íris parecia que íamos cair em nós. Estivemos quase, quase para não levantar o carrinho, até porque já tínhamos percebido que não nos estava a fazer falta: somos grandes fãs dos slings e mochilas ergonómicas. Mas deixámo-nos levar... E agora temos um carrinho ali parado na entrada, e que foi usado uma meia dúzia de vezes... Mais uma lição.

Então, como fizemos (e continuamos a fazer)?

(Pelo menos) metade das coisas que estavam nas tais listas foram colocadas de parte (móvel banheira+vestidor???). Como temos a sorte de ter familiares e amigos generosos e com bebés pouco mais velhos, a maior parte das coisas - que na verdade só são usadas uns meses - foram-nos emprestadas ou até dadas. À medida que vão deixando de ser precisas, são devolvidas ou, no caso das doações, entregues a outras famílias, mantendo assim o ciclo de reutilização. Quando precisamos mesmo de comprar coisas, normalmente uma ou outra peça de roupa que está em falta (um casaco mesmo, mesmo quente, por exemplo) vamos às lojas Kid to Kid. Somos fãs! Quando vivíamos em Matosinhos havia uma outra loja de género (quase ao lado da Kid to Kid), mas não me lembro do nome... Também há lojas online de venda de artigos para bebés e crianças em segunda mão, mas nunca experimentámos.

Em relação aos brinquedos, fizemos a opção de ter muito poucos, até porque a Íris, como quase todos os bebés, gosta de brincar com "não brinquedos": caixas e caixinhas, utensílios de cozinha, fitas, papel, pedras, pinhas, terra, ... Confesso que me perco nas lojas virtuais de brinquedos de madeira "sustentáveis", mas tenho conseguido controlar-me. Ainda assim, os que comprámos foram novos, porque, infelizmente, nas lojas de artigos em segunda mão é muito difícil encontrar os brinquedos que procuramos. Também metemos mãos à obra e estamos a fazer brinquedos para ela, como este  quadro (quando estiver pronto partilho). Não faltam tutoriais de brinquedos por esse mundo (virtual) fora. E eu tenho alguns livros que herdei, mas são de brinquedos para crianças um pouco mais velhas (lá chegaremos...).

Livros temos comprado e recebido de presente (novos e usados), mas vamos começar a usar mais a biblioteca da vila, que tem uma secção infantil razoável. Eu, em criança - e apesar de termos muito livros em casa - adorava ir à biblioteca escolher livros. Quem sabe despertamos esse mesmo prazer na nossa menina.

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It didn't make sense to me - from the moment we decide to have a baby - not to continue to strive to reduce our impact on the planet. In fact, this need, so to speak, has increased: "If you are going to put another human being on this planet, you better redouble the effort to leave this world in a better state than it is." Yes, because I still believe - piously, innocently, madly - that each of us can make a difference.

Now, for anyone - minimally keen observer, and having someone with baby(s) in their life - its’s more than obvious that - in today’s society - babies need a lot of things to survive this phase of their lives... The first time I came across with a list of what both baby and mum would need - whether at home or at the hospital - I gasped. And it came to my mind all those images from the countless times I had seen friends, already parents, loading up the car's trunks with everything and anything else each time we went on vacation. No matter if it was a weekend or a week. Or to come to a party of a few hours, with more than I ever took for 15 days of travel... "There is another way. A baby doesn't need all this," I said to a terrified Zé Manel, unfamiliar with babies, "No, we will not be like this."

And we weren't. We aren't. Our baby girl is one year old and I can count with my fingers the new things we bought her: a sling (to a Portuguese artisan), a baby carrier (actually it was offered, but it counts), a baby stroller (my environmental sin... I'll come back to this...), books, some didactic toys and reusable diapers (and half of them are second-hand, but this is for another post). Of course, people offered her new things and things done with love and affection (for example, Iris's youngest aunt made her a pretty carrycot, which, after being used a lot in the first months, ii’s now the house of her teddies...). It's still very difficult to explain that they can buy second-hand to offer us. Or that they do not even need to offer anything! And yes, we could have chosen second-hand versions of the above objects. We aren't perfect (far from it) and sometimes we get carried away by green marketing (yep...).

That was the case of the baby stroller. In my web searches, I found this stroller and I was thrilled: it's totally made from recycled materials (the structure uses 5.6kg of recycled plastic and the fabric is made from 62 PET bottles). When it's no longer fit for consumption, we can return it to the company and its materials will be totally reused in new products. Oh, uh... You see how they got me? And, unlike the other baby strollers (in my opinion), it's beautiful. And light, and customizable, (I could have a white stroller!!!) and practical (no need to take a course to know how to fold it...). We went to see the stroller, and because of it we made a birth list... During the first 4 months of Iris it seemed we were going to get reasonable. We nearly drop out the idea of the stroller, since we had already realized that we don't needed it: we are big fans of the slings and baby carriers. But we got carried away... And now we have a stroller standing at the doorway, that was used half a dozen times... One more lesson.

So how did we proceed (and still do)?

(At least) half of the things that were on such lists were set aside... Since we are fortunate to have generous family and friends with babies, most things - which are actually only used for a few months - have been lent or even given. As they cease to be needed, they are returned or, in the case of donations, handed over to other families, thus maintaining the cycle’s reuse. When we really need to buy things, usually one or another missing piece of clothing (a very, very warm jacket, for example) we go to ‘Kid to Kid’ stores. We are fans! There are also online stores selling second-hand baby products, but we never tried.

Regarding to toys we choose to have very few, especially because Iris, like almost all babies, loves to play with "no toys": boxes, kitchen utensils, ribbons, paper, stones, pine cones, ... I confess that I get lost in the online stores of "sustainable" wooden toys, but I have managed to control myself. Still, the ones we bought were new, because unfortunately it's very difficult to find the toys we are looking for in second-hand stores. We also are making toys for her, like this board (when it's finished I’ll share it). There is no lack of toys DIY in the web. And I have some books that I have inherited, though with toys for older children (we will get there...).

Books, we have bought and received as gifts (new and used), but we will start to use more the village library, which has a reasonable children's section. As a child, I loved going to the library to choose books - though we had plenty of books at home. Maybe we’ll be able to awaken that same pleasure in our girl.

3 December 2015

dezembro - dia 3 :: december - day 3


Já não é deste ano, esta reportagem, mas leiam-na, por favor, antes de decidiram onde vão comprar os enfeites para o Natal (ou até os presentes). Ou, se não se aplicar, enviem-na a quem acharem que a deve ler. Vamos ter um Natal mais justo?

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This article it's not from this year. Nevertheless, read it, please, before you decided where you will buy your Christmas's decorations (or even your gifts). If it doesn't apply to you, send it to those who should read it. Let's have a fairer Christmas?

6 March 2015

koalas

koalas - australia 2014

Os koalas devem ser dos animais mais queridos que conheço. Basta olhar para um destes marsupiais para ficarmos rendidos ao seu "charme"...

Quando estivemos na Austrália vimos alguns em eucaliptos ao longo da estrada, mas avistamos a maior parte numa reserva que visitámos. Uma reserva dedicada aos koalas porque - supostamente - estes simpáticos animais estão em perigo (apesar da sua população ter aumentado nos últimos anos e não estarem em risco de extinção, neste momento). Claro que somos o seu maior predador: destruímos o seu habitat natural, abrimos estradas que isolam os nichos onde vivem (impedindo-os de fugir quando, por exemplo, há um incêndio), percorremos essas estradas a alta velocidade (em alturas diferentes, vimos dois deles mortos na berma da estrada), ... Comparado com os humanos, o dingo é um predador de trazer por casa.

Por isto, quando vi esta notícia não queria acreditar. Ainda não acredito. Estou triste, triste. Procurei mais informação mas até agora não encontrei nada que me fizesse compreender a opção de matar 700 koalas. Numa determinada altura é dito que transportá-los (para zonas onde não lhes falte alimento) seria stressante e eventualmente provocar-lhes-ia a morte. Mas koalas são levados para Zoos, não são? Deve haver uma maneira "certa" de o fazer, não? Custa-me muito crer que esta era mesmo a única solução viável.

Se me conseguirem fazer entender ou tiverem mais informação sobre este assunto, agradeço.

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It’s likely that Koalas are the cutest animals I know. Just looking at one of these marsupials and we surrender ourselves to its "charm"...

When we were in Australia we saw some koalas in eucalyptus trees along the road, but mostly in a reserve we visited. A reserve devoted to koalas because - supposedly - these lovely animals are in danger (despite its population have increased in the last years and - at this moment - they aren't at risk of extinction). Of course we're their biggest predator: we destroy their natural habitat, we open roads that isolate the niches where they live (for example, preventing them from running away when there is a fire), we drive through these roads in high speed (at different times, we have seen two of them dead on the roadside), ... Compared with humans, the dingo is a petty predator.

Therefore, when I saw this news I couldn't believe it. I don't believe it yet. I'm sad, so sad. I searched for more information, but so far I haven't found anything that made me understand the option to kill 700 koalas. At some point it's said that to transport them (to areas where they have the food they need) would be stressful and eventually can cause their death. Nevertheless, koalas are taken to zoos, aren't they? There should be a "right" way to do it, right? It's very hard to me to believe that this is really the only viable solution.

If you can make me understand this or if you have more information on this subject, I thank you.

11 February 2015

dando livros :: giving books


Já ando - há algum tempo - a tentar dar livros a desconhecidos...

Primeiro aderi ao bookcrossing (e falei da experiência no meu anterior blog) mas nunca mais soube nada do único livro que "libertei". Mais tarde aderi ao winkingbooks, um site para troca de livros (também falei destas andanças aqui). Já enviei alguns livros, no entanto a procura é por livros extremamente recentes (o que é compreensível) e os mais antigos (como é o caso dos meus) - ainda que bons - ficam na prateleira virtual...

Também já tentei - em dois espaços diferentes - ter uma prateleira com livros à disposição de quem passa. Sem contrapartidas. É só escolher e levar, sem necessidade de devolução. Acho que - em anos - só dois livros foram parar a outras mãos.

Ontem à noite, depois das aulas, estava a olhar para a tal prateleira e tive uma ideia:
("Se a montanha não vem a Maomé... e coisa e tal... e na verdade eu não preciso de saber por andam os livros... ainda que tenha piada... Estão para aqui tristes e a ganhar pó...")
"Vou levá-los e deixá-los por aí!"

Assim pensei e assim fiz. Levei dois dos livros comigo e como ia apanhar o metro decidi deixá-los na estação.

A sério que não estava à espera de um resultado imediato. Pousei-os nos bancos (em lados opostos) e fiquei a aguardar o metro. O que aconteceu foi que passou primeiro o do outro lado e quando ele arrancou, o livro já lá não estava! Quando a composição acabou de passar ainda consegui ver uma mulher que se afastava a folhear atentamente o livro. Posso dizer-vos que fiquei ali uns minutos - sozinha - com um grande sorriso estampado no rosto. Espero que o outro livro não tenha ficado muito tempo ao frio...

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I'm - for some time now - trying to give books to strangers...

First I joined the bookcrossing but never heard anything from the only book that I "freed". Later I joined the winkingbooks, a site for book exchange. I have sent some books, however the demand is for extremely recent books (which is understandable) and the older ones (like mine) - even good ones - stay on the virtual shelf...

I've also tried - in two different spaces - to have a shelf with books available to anyone who passes by. No counterparts. Just choose and take, without return. I think - in years - only two books went to other hands.

Last night, after my class, I was looking for that shelf and had an idea:
("If the mountain doesn't come to Mohammed ... and stuff ... and in fact I don't need to know where the books are ... although it's funny... here they are sad and collecting dust... ")
"I'll take them and leave them somewhere!"

So I thought and so I did. I took two books with me. I was in my way to catch the tube, so I decided to leave them at the station.

Seriously, I wasn't expecting an immediate result. I put them in the benches (on opposite sides) and I was just waiting for the tube. The other tube arrived first. When it left, the book was no longer there! I still got to see a woman who walked away, carefully leafing through the book. I can tell you that I was there for a few minutes - alone - with a big smile on my face. I hope the other book hasn't been to long in the cold...

3 February 2015

dois euros :: two euros

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Numa grande superfície de materiais de construção:

- Boa tarde, onde posso encontrar a espuma de poliuretano?
- Tem aqui mesmo estas latas em promoção.
- Hmmm. São muito grandes. Eu quero a mais pequena que tiver.
- As mais pequenas estão esgotadas. E são mais caras.
- Pois, mas eu vou usar muito pouco.
- Mas estas são mais baratas e gasta só o que quiser.
- Eu sei, mas eu só preciso mesmo de um bocadinho e depois o que faço ao resto?
{É que eu só preciso de uma esguichadela à volta do tubo da salamandra. O que raio vou eu fazer ao resto da espuma? Já não me chegava não encontrar uma solução mais ecológica, em Portugal...}
- Deita fora... Estas são mais baratas dois euros.
- Eu não faço esse raciocínio. Eu prefiro gastar mais dois euros e não contribuir para o desperdício de um produto.
- (pausa) E vai estar a gastar mais dois euros???
- Bem, obrigada... Boa tarde.
- Boa tarde...

Este é um exemplo dos diálogos que eu tenho quando vou às compras. Sou só eu a fazer este raciocínio? Não devo ser, porque as latas mais pequenas também estavam esgotadas na drogaria onde fui a seguir...

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In a big construction materials store:

- Good afternoon, where can I find the polyurethane foam?
- You have right here these cans on sale.
- Hmmm. These are too big. I want the smallest you have.
- The smaller are sold out. And they're more expensive.
- Yeah, but I'll use just a small portion.
- But these are cheaper and you only spend what you want.
- I know, but I just really need a little bit and then what will I do with the rest?
{I really just need a small splash around the stovepipe. What the hell am I going to do with the rest of the foam? As if it isn't enough don't find, in Portugal, a greener solution ...}
- Throw out... These are two euros cheaper.
- That's not my logic. I'd rather spend two euros more and don't contribute to this product waste.
- (Pause) And will you be spending two euros more???
- Well, thank you... Good afternoon.
- Good afternoon...

This is an example of the dialogues that I have when I go shopping. Am I the only one with this logic? I don't think so, because the smaller cans were also sold out in the drugstore where I went later...




19 December 2014

reciclar velas :: recycle candles

este post faz parte do desafio que lancei a mim própria e que deu origem ao meu primeiro blog: adoptar 365 hábitos de maneira a reduzir a minha pegada ecológica (aqui está a lista das medidas já tomadas). Esta é a 219ª medida.



Já reciclo restos de velas de parafina há uns anos (desde o início do outro blog), mas só quando vi este post da Mariana é que me lembrei que nunca tinha falado sobre tal no "365 coisas que posso fazer..."

Habitualmente faço velas com óleo de cozinha usado (podem ler como aqui), e sei que a parafina é de evitar (só para dar uma razão, é um derivado do petróleo*), mas comecei a trazer restos de velas de casa de familiares e amigos porque me fazia impressão irem direitinhos para o lixo. Se puderem ser reutilizados é melhor, não é?

E na verdade é muito fácil:
- derreter - em banho-maria - os restos de cera até ficarem completamente líquidos e misturados (podem agrupar os restos por cores ou criarem novas cores);
- cortar pedaços de fio de algodão ou cordel e mergulhá-los na cera líquida. Aguardar que arrefeçam e fiquem tesos;
- verter com cuidado em frascos, boiões, latas velhas, copos lascados ou chávenas orfãs (eu guardo e reutilizo vários tipos de embalagens...). Ou, por exemplo, em embalagens que sirvam como molde e depois se cortam (podem ser até pacotes de leite) ou ainda, como a Mariana, em formas de silicone;
- colocar o fio ao centro e segurá-lo de maneira a não se mover. Eu faço-o com a ajuda de um pau de gelado furado ao meio (por onde passo o fio);
- aguardar que arrefeça (não convém movimentar muito os recipientes enquanto a cera está líquida);
- depois é retirar dos moldes ou enfeitar os recipientes. Eu apenas coloco um cordel ou um fio com uma etiqueta (estas da imagem ficaram um bocadinho grandes) nas que são para oferecer, mas pode decorar-se os frascos de vidro com fita de papel ou tintas para vidro,  pintar as tampas, ...

Além de simples e de darmos uma nova vida a algo que ia para o lixo indiferenciado, ficamos com uns miminhos bonitos para oferecer!

*também há parafina de origem vegetal, mas é um derivado da soja, o que também pode prejudicar o ambiente...

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I usually make candles with used cooking oil, and I know that paraffin is to avoid (just to give a reason, is a oil derivative*), but I started to bring home - from my family and friends houses - the scraps of old candles; it disturbs me knowing they go right to the trash. If they can be reused is better, right?

And it's actually quite easy:
- to melt - in a water bath - the candle scraps until they are completely liquid and mixed (the remains can be grouped by colour or you can create new colours);
- to cut pieces of string and dip in the liquid wax. Wait to they cool and become stiff;
- to pour the wax carefully into bottles, jars, old cans, chipped cups (I keep and reuse all kind of containers...). Or, for example, in containers that can be use as mould and then cut off (it can be milk cartons) or in silicone forms;
- to put the string in the centre and hold it so it doesn't move. I do this with the help of an ice cream stick punctured in the middle;
- to wait for it to cool (it's better if you don't move the containers while the wax is liquid);
- then remove the mould or decorate the containers. I just put a cord or a string with a label the one in the picture is a bit big) on the candles to give away, but you can decorate the glass with paper tape or glass painting, paint the covers, ...

In addition to be a simple thing and to the fact that we're giving a new life to something that was going to waste, we get a cute gift!

* There are also vegetable paraffin, but it's from soy, which can also damage the environment...

24 October 2014

reutilizar borras de café :: reuse coffe dregs


este post faz parte do desafio que lancei a mim própria e que deu origem ao meu primeiro blog: adoptar 365 hábitos de maneira a reduzir a minha pegada ecológica (aqui está a lista das medidas já tomadas). Esta é a 217ª medida.

http://awondrousday.blogspot.com - ema magalhães

Eu não tomo café, o Zé Manel sim (eu até adoro o cheiro do café mas não gosto nada do sabor…).
O café que usamos é proveniente do comércio justo e em saco (também foram duas das minhas “medidas”. Podem ler mais aqui e aqui). E claro, no fim ficam sempre as borras…

Eu queria reutilizar a maior quantidade possível, mas a única utilidade que lhes conhecia era como fertilizante. Ora, não só a minha horta se resume a uma varanda, como as minhocas do vermicompostor não podem abusar dos excitantes…

E não é que, nas minhas pesquisas pela internet e pelos meus livros, descobri que as borras do café têm muitas funções?

Nota
As borras de café podem ser usadas de imediato (basta deixar arrefecer uns minutos) ou guardadas para futuras utilizações. Neste caso (para evitar bolores e mau cheiro) basta secar as borras - espalhadas num tabuleiro - ao sol, num local arejado.

Na horta

- Podem ser usada para enriquecer o composto (no compostor ou vermicompostor).
- Parece que se podem usar (secas e depois de “curarem” durante uma semana) para fertilizar directamente  a terra  das plantas que gostam de condições ácidas, como tomates, cenouras, rosas, azaléias, rododendros, hortênsias e camellias.
- Também encontrei a dica de usar as borras secas misturadas com as sementes que se pretendem semear (encontrei várias referências às cenouras): o volume extra faz com que as sementes pequeninas sejam mais fáceis de manusear (para isto também se pode usar areia), enquanto o aroma do café ajuda a afastar pragas. Mas também encontrei muitas opiniões a discordar desta medida.
- As borras são muito boas para repelir formigas, caracóis, lesmas… Basta polvilhar com a borra de café os sítios que se quer proteger. 
- Também encontrei informação sobre a utilidade das borras para afastar os gatos das plantas, mas as nossas três meninas não só não se afastaram das borras que coloquei ao sol, como até as lamberam… Pode ser que sejam mais repelentes adicionando-lhes cascas de laranja, como li algures...
- Ainda em relação aos nossos melhores amigos, fica a sugestão de os esfregar com as borras, antes de lhe dar banho, para afugentar as pulgas (outras sugestões para este fim aqui).

Nas limpezas
A borra do café pode ser utilizada como agente de limpeza em vários casos.

- Misture a borra do café com água e esfregue tachos, panelas, … com o auxílio de uma escova ou esfregão. Pode, assim livrar-se da gordura facilmente, sem gastar muita água e detergente.
- Para se livrar da gordura que se pode acumular a canalização da banca da cozinha pode despejar meia chávena de borra do café no ralo e, em seguida, 5 chávenas de água bem quente. A água vai empurrar a borra do café e desentupir a canalização.
- Se tiver lareira e a for limpar, polvilhe-a com borras de café humedecidas (acabadas de sair da máquina, por exemplo) que irão tornar as cinzas pesadas e eliminar as nuvens de pó.

Para combater os odores
E as borras de café são óptimas para tirar cheiros!
O café tem a capacidade de atrair e reter odores, removendo o mau cheiro dos ambientes. E o cheiro de café não fica no ar. 

- Esfregue-as nas mãos para se livrar do cheiro a alho ou a cebola.
- Elimine os odores do frigorífico colocando no seu interior um recipiente com borras (secas).
- E para aquele cheirinho no calçado… coloque um saquinho de pano com borra de café seca dentro de cada sapato ou sapatilha.

Na pele e no cabelo

E voilà, as borras de café são um esfoliante fantástico (neste momento as mãos que teclam neste pc estão muito mais macias do que há umas horas atrás…)

- Além de poder esfregar as mãos com as borras, para as amaciar e clarear, pode usá-las também como esfoliante corporal, simplesmente aplicando-as na pele em movimentos suaves e circulares (e das extremidades para o centro), retirando-as com água no final. Se quiser uma receita mais rica, junte às borras óleo de coco e um pouco de açúcar mascavado, formando uma pasta para aplicar do mesmo modo.
- Dizem que também funciona como anti-celulítico, juntando-lhe óleo de vitamina E e massajando várias vezes as zonas afectadas.
- Também no rosto podemos usar as borras de café (são ricas em minerais, como cálcio e potássio, e têm acção anti-inflamatória que acalma a pele, fechando os poros). Uma máscara de borra de café misturada com puré de abacate reviroga a pele do rosto.
- No cabelo, as borras ajudam a prevenir a caspa, bastando para isto massajar suavemente o couro cabeludo com borras misturadas com um pouco de água. Este tratamento também dá brilho a amacia o cabelo. A única questão é que se gasta um bocadinho mais de água para retirar do cabelo todos os vestígios das borras…
Atenção que as borras escurecem os cabelos loiros e ruivos.

Para diversão

E, se gostar de manualidades, o café é um bom corante.
Para fazer a "tinta" basta colocar a borra num recipiente com água bem quente e deixar repousar durante 5 a 10 minutos. Coe com um filtro de papel ou um pano fino (mais ecológico) e está pronta a usar.
Pode utilizar-se em tecidos ou papel. Parece que também é útil para cobrir eventuais arranhões na madeira.
Só não sei se – nos tecidos – sai ao lavar. Mas hei-de descobrir e dizer-vos.

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I don't drink coffee, but Zé Manel does (I love the smell but I'm not a fan of the taste ...). 
And, in the end, there are always the dregs ... 

I wanted to reuse as much as possible, but the only utility that I knew for coffee dregs was as fertilizer. Now, not only my kitchen garden it's only a balcony, as the worms from the vermicomposting system can't abuse of exciting suplements... 

And it turn out, after my research on the internet and in my books, that the coffee dregs have many functions.

Note
The coffee dregs can be used immediately (just let it cool a few minutes) or saved for future use. In this case (to prevent mold and stench) just dry it - spread on a tray - at the sun, in a airy place. 

In the garden 

- Can be used to enrich the compound (with or whitout worms). 
- It seems that you can use it directly (dry and after "cure" for a week) to fertilize the soil of the plants that like acidic conditions, such as tomatoes, carrots, roses, azaleas, rhododendrons, hydrangeas and camellias. 
- I also found the hint to use the dried dregs mixed with the seeds that you intended to sow (I found several references to carrots): the extra bulk makes the tiny seeds more easier to handle (for this you can also use sand), while the coffee scent helps to keep away the pests. But I also found many opinions of people who disagree with this measure. 
- The dregs are very good for repelling ants, snails, slugs ... Just sprinkle the coffee dregs in the places you want to be protected. 
- I also found information on the usefulness of the dregs to keep away cats from plants, but our three girls not only didn't withdraw from the dregs that I put in the sun, but even licked it ... Maybe they be more repellent by adding orange peels, as I read somewhere... 
- Also, in relation to our best friends, there's a suggestion to rubbing them with the dregs, before give them a bath, to repel the fleas. 

In cleanups 
The coffee dregs can be used as a cleaning agent in many cases. 

- Mix the coffee dregs with water and scrub pots, pans, ... with a brush or mop. You get rid of grease easily, without spending a lot of water and detergent. 
- To get rid of the grease that it can be stuck in the kitchen sink plumbing, you can pour half a cup of coffee dregss down the drain and then 5 cups of hot water. The water will push the coffee dregs and unclog the plumbing. 
- If you have a fireplace to be clean, sprinkle it with moist coffee dregs (fresh from the machine, for example) that will make the ashes heavier reducing the dust clouds. 

To fight odors 
And the coffee dregs are great for vanishing smells! 
Coffee has the ability to attract and retain odors, removing the stench of the environments. And the smell of coffee doesn't stay in the air. 

- Rub the hands with the dregs to get rid of the smell of garlic or onions. 
- Eliminate odors from the refrigerator by placing inside a container of (dry) cooffe dregs. 
- And for that smell in shoes ... put a cloth bag with dry coffee dregs inside each shoe or sneaker. 

Skin and hair 

And voilà, the coffee dregs are a fantastic exfoliant (currently the hands typing in this keyboard are much smoother than a few hours ago ...) 

- Besides you can rub your hands with the dregs, to soften and lighten, you can also use them as body scrub, simply applying them into the skin in soft circular movements (and from the extremitys to the center), removing them with water at the end. If you want a richer recipe, add coconut oil and a little brown sugar to the dregs, forming a paste to apply in the same way. 
- They say it also works as an anti-cellulite, adding vitamin E oil and massaging the affected areas several times. 
- You can also use coffee dregs in the face (they are rich in minerals such as calcium and potassium, and have anti-inflammatory action which soothes the skin, closing the pores). A mask of coffee dregs mixed with a mashed avocado reinvigorate the facial skin. 
- In the hair, cooffe dregs help prevent dandruff. Simply rub it (mixed with a little water) gently into the scalp. This treatment also leaves the hair shinier and softer. The only issue is that you expend a little more water to remove all traces of dregs from the hair... 
Note that the dregs darken the blond and red hair. 

For fun 

And, if you like crafts, coffee dregs make a good dye. 
To make the "ink" just put the dregs in a container with very hot water and let stand for 5-10 minutes. Pour in with a paper filter or (greener) with a thin cloth and it's ready to use. 
Can be used on fabrics or paper. It seems that it's also useful to cover scratches on wood. 
I just dont know if - on fabrics - it wash out. But I will find out and tell you.

24 September 2014

a minha primeira pasta :: my first briefcase

http://awondrousday.blogspot.com - ema magalhães
Esta é a minha primeira pasta. A que orgulhosamente coloquei às costas no meu primeiro dia de aulas do meu primeiro ano de escola. Redescobri-a durante as inevitáveis arrumações que ocorrem quando mudamos de casa (especialmente de uma casa onde vivemos muitos anos...). Já não tem alças e tinha marcado, na frente, o contorno de uma grande borboleta, azul e brilhante que ali passou uns anitos colada. A minha mãe levou-a ao sapateiro (um daqueles à moda antiga) que lhe devolveu a velha glória sem lhe retirar a dignidade da idade. E, felizmente, mantém-se suavemente visível a marca da minha bela borboleta.

E assim, passados tantos anos, volto a sentir o prazer de rechear a minha pasta com cadernos cheios de folhas em branco e lápis afiados.

Afinal as coisas mudam, mas não mudam assim tanto.

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This is my first briefcase. The one I proudly put on my back on my very first day of school. I rediscovered it during the inevitable cleaning when moving house (especially a house where we lived so many years...). It no longer has straps.  It had marked in the front the outline of a large butterfly, blue and bright, who spent glued for some years. My mom took it to the shoemaker (an old time’s one) who gave it the old glory without withdrawing its dignity of age. And, thankfully, the mark of my beautiful butterfly remains smoothly visible.

And so, after so many years, I feel again the pleasure of filling my briefcase with notebooks full of blank sheets and sharpened pencils.

After all things change, but they don't change that much.